PERCURSOS CONFINADOS

Percursos confinados

 

Quero aproveitar a oportunidade para relembrar uma pequena passagem das Vanguardas Artísticas no início do Século XX, época de grandes transformações e rupturas de cânones estéticos estabelecidos, de formação de novos conceitos e de novas abordagens formais.

Nesta época, no campo da arte, questionava-se o que substituiria o objecto (como estudo).

 

Teria que ser alguma coisa diferente, talvez algo ESPIRITUAL. E foi aí que alguns artistas assumiram que a exigência de fidelidade ao mundo das aparências estava em conflito com a demanda de uma fidelidade pelo sentimento. Muitos foram os artistas que através das diversas modalidades do campo das artes plásticas abraçaram e deram corpo a este conceito.

Cabe-me nesta ocasião, colocar frente a frente vários jovens artistas com sinais de diferentes passos, de percursos em pleno estado de amadurecimento que facilitam a possibilidade de mostrar a memória de um trajecto feito por vários caminhos que se expressam através dos diversos recursos plásticos utilizados. Reassumem, com a emoção estética os vários modos de captar e transformar a sua realidade dentro do actual contexto, o confinamento.

Não acudem ao explícito e nem se conformam em repetir as fórmulas apreendidas; privilegiam a surpresa, os trilhos que no caminho se descobrem com as possibilidades que os próprios materiais lhes oferecem, num jogo que nunca acaba… Trazem à luz um conjunto de obras pertencentes ao seus processos de produção que expressam o Espírito da sua criação, num contexto de muita, muita reflexão.

Eles, fazem um canto ao seu entorno, às sensibilidades e aos sentimentos.

 

 

O curador

Ulisses Oviedo

Janeiro/2021